Das riquezas da vida

As riquezas da vida são muitas: financeira, aprendizados, amor, relações…

Toda a Natureza é rica e dela somos parte. O ser humano é o único ser que, por vezes, sente-se não afortunado. Todos os seres vivem em perfeito fluxo usufruindo de todas as riquezas: o sol, a terra, os nutrientes, o ar, a água…

O ser humano é o único ser que se sente separado de todas as riquezas; para justificar e manter este sentimento, cria expectativas e necessidades que estão fora de si mesmo, fora de sua natureza essencial.

O amor de alguém, um emprego, um carro, uma casa, uma viagem… estes são desejos. Mas os desejos não traduzem o mais importante: a vontade. Qual é a vontade? Podemos resumir a vontade do ser humano em algumas poucas: ser amado, ser útil, ser produtivo, segurança, paz, tranqüilidade…

Os objetos de desejo são meios que enxergamos, de acordo com nossa visão de mundo, de nós mesmos, de acordo com nossas crenças – uma parte nossas e outra parte que absorvemos do coletivo (familiar, social).

Apenas o ser humano é dotado de desejos. Os desejos são muito importantes, são fonte de motivação para a superação, para que refine seus conteúdos, sua percepção de si mesmo e possa se aproximar, em sua ideia, em sua autoimagem, de sua natureza divina e perfeição.

O mais desafiador é se desapegar da autoimagem existente: o “desfavorecido”, seja financeira, afetivamente ou de saúde. Enxergamo-nos de uma certa forma e, sobre isso, construímos toda a nossa vida, nossa auto identidade. Isso é necessário por um tempo (até os 28 anos de idade, aproximadamente), é nossa fonte de motivação para construção, o que nos move para novos patamares de nosso “existir”.

Um imenso chamado interno de nossa alma, de nossa consciência à nossa estrutura humana (mente, corpo e emoções) ecoa nos dizendo que isso não é suficiente, que podemos mais. Esse “mais” pode ser traduzido em novos e insaciáveis, infindáveis desejos, se continuamos, após os 28 anos de idade, principalmente, identificados com a estrutura apenas tridimensional (corpo, mente, emoções). Se seguimos o fluxo natural e deixamos esta voz, a consciência, que clama, tomar o leme e guiar, significa a espiritualização da matéria (corpo 3D) e este “mais” se traduz na necessidade por paz, por somente SER e se aceitar.

Não contemplando nosso potencial divino, nosso poder pessoal, nosso Lugar de Poder, nosso espaço Sagrado, esperamos que algo nos traga esta ascensão. Ficamos aguardando a ascensão profissional, o sucesso afetivo, financeiro e a saúde plena.

Mas este chamado, de fato, não é de nossa mente ao externo. É de nossa consciência à essa ambiência, para ela externa, que é nosso corpo mental, físico e emocional. É um clamor por MUDANÇAS, pela AÇÃO CONSCIENTE E COMPASSIVA.

A compaixão não é com o outro; o perdão não é com o outro; a boa fé não é com o outro. É consigo mesmo. É crer na própria capacidade, reajustar o tamanho que pensamos ter, desapegar total e completamente de quem acreditamos ser até este exato momento.

Policiar pensamentos e palavras e evitar auto descrições. Toda auto descrição está baseada no passado, nas memórias, do que já fomos até um segundo atrás; mas que não mais corresponde ao que nos tornamos no último segundo, no último bater de asas de uma borboleta em algum lugar do Universo, que reverbera em ondas até alguma parte de nossas células e ativa algo em nosso DNA, que contém predisposições, sabedorias, talentos e potencialidades desconhecidos. Somos “empurrados” a todo instante a ser o nosso MELHOR. Não melhor que alguém, mas melhor do que éramos até agora. Melhor do que éramos é ser rico, é ser tudo o que podemos ser. Isso vai se refletir no financeiro, no afetivo, na requalificação da sexualidade, na paz de espírito, na saúde integral.

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante”, parafraseando Raul Seixas, é um bom lema de vida. Vivemos mortes e renascimentos múltiplos, multidimensionais a cada segundo. Temos um novo casulo a romper, que dói, mas que tem, em si, a certeza de que o que vem depois é a inevitável “condenação” ao crescimento e às asas, a VOAR.

Quando uma borboleta sabe que deixou de ser lagarta e que está na hora de voar? Fatalmente é quando dói, pois é mais um casulo que se vai. Um casulo confortável, úmido e quentinho. Seguro. Mas uma borboleta não pode escolher não ser borboleta. Ela não pode escolher permanecer lagarta. Isso seria prolongar a dor e negar a vida.

A ansiedade, grande mal de nossos tempos, é uma fuga para não sentir, para não estar no aqui e agora. Ela vem de um pensamento baseado em memórias do passado, que inspira pavor sobre o futuro e, com isso, um medo imenso de viver o presente. Uma forma de postergar o crescimento. Crescimento enquanto consciência.

Mas imaginem uma borboleta ansiosa porque vai romper o casulo e ter que voar, sem nenhuma garantia de que não vai cair e se esborrachar…. com medo…. Totalmente compreensível, certo?

Mas todas as emoções de baixa freqüência derivam do medo. E o contrário do medo é o amor, pois a coragem é COR-agem (= agir pelo coração). Além de atentarmos ao coração, chave do segredo, é necessário atentar também para a AÇÃO.

O casulo não se rompe sozinho. O rompimento do casulo é conseqüência da decisão de aceitar ter que se mover até o casulo se romper, SEM AJUDA. Uma ajuda pode ser fatal. Prorrogar o momento de voar pode ser fatal. Desesperador.

Você já reparou que há asas nascendo de você neste momento?

Imagem de capa: Maridav/shutterstock

 

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Adriana Mangabeira
Terapeuta e Master Coach, atua com múltiplas ferramentas como consultora e facilitadora de Caminhos pessoal, organizacional ou empreendedora. Através de artigos, palestras, treinamentos, webinários promove respostas, direcionamentos, propósito, fluxo e relacionamentos lúcidos, harmônicos e produtivos.

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