Conheça a carta que o FBI enviou a Martin Luther King como tortura psicológica

A ascensão de um homem como líder dos direitos civis dos negros frente à uma sociedade fortemente racista certamente estremeceu os alicerces da sociedade americana e de seus poderes.

Para desmoralizar Martin Luther King e afetar seu equilíbrio emocional, em 1964, dias antes de  receber o Prêmio Nobel da Paz , o FBI (Agência nacional de Investigação), na época dirigida por J.Edgar Hoover, enviou uma carta para o líder. Na carta, recebida por Coretta, sua esposa, explícitas tentativas de vincular o ativista com o comunismo em plena Guerra Fria. Além disso, insultos, ameaças e conteúdo com evidente objetivo de humilhação e desestabilização frente à família e comunidade. Junto a carta, Coretta encontrou  uma gravação que ilustrava os supostos deslizes sexuais de seu marido. Escrita de maneira anônima e repleta de erros de digitação, o suposto autor se passou por um seguidor de King totalmente decepcionado com sua atitude por ter traído a mulher e lhe dava um prazo de 34 dias para se suicidar se não quisesse que a história viesse à tona.

A definição de Tortura e/ou agressão psicológica  mostra que ela visa primeiramente afetar o indivíduo psicologicamente, ficando a violência física em segundo plano. É uma violência que ocorre sempre em uma relação desigual de poder, em que o agente exerce autoridade sobre a vítima, sujeitando-a a aplicação de maus tratos mentais e psicológicos de forma continuada e intencional.

A forma como é feita a tortura psicológica não provoca dor física em nenhum momento, mas a humilhação, estresse e angústia causada pode deixar cicatrizes psicológicas permanentes, inclusive potencializando o risco de suicídio da vítima.

Leia alguns dos trechos em português publicados em R7

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A carta, de uma página e escrita à máquina, foi achada pela professora da Universidade de Yale, Beverly Gage, e publicada pelo jornal New York Times

“Animal anormal”, “fraude” ou “ser diabólico” são alguns dos adjetivos usados pela agência ao ameaçar King em revelar suas relações extraconjugais, das quais, disse, eram próprias de um “psicopata sexual”.

“King, olhe dentro de seu coração. Sabe que é uma completa fraude e a maior mentira para nós, os negros. Os brancos deste país têm suficientes fraudes por si mesmos, mas tenho certeza de que neste momento não têm uma que iguale a sua”, dizia o texto.

“Está acabado. Só há uma saída para ti. É melhor que opte por ela (suicídio) antes que você, anormal, seja exposto à nação”, dizia a carta.

A carta havia sido publicada pelas autoridades federais após passar por uma estrita edição, mas Beverly Gage, professora da Universidade de Yale, achou o documento original nos Arquivos Nacionais de College Park (Maryland), nos arredores de Washington DC, em meio a uma investigação que está sendo realizada sobre Hoover. A tensa e conflituosa relação entre King e Hoover não era, no entanto, um segredo: o diretor do FBI chegou a dizer em público, se referindo ao ativista, que era “o mentiroso mais notório do país”.

Por isso, como explica Gage, King suspeitou desde o princípio que o FBI era quem estava por trás da carta, embora nunca tenha chegado a denunciá-lo, e só soube sobre sua existência uma década depois do assassinato do ativista, quando Hoover já tinha morrido.

A perseguição da agência federal contra King foi tão escandalosa que, segundo Gage, seu atual diretor, James Comey, conserva uma cópia da solicitação de escuta telefônica do FBI para a linha de King em sua escrivaninha “como uma recordação da capacidade da agência para fazer o mal”.

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