Como sobrevivi a 18 meses sem televisão

Muito bem, para falar a verdade. Depois que o Martin nasceu, a TV virou um caro objeto de decoração, com direito a taxa mensal de manutenção: TV a cabo, que, no nosso caso, era praticamente dinheiro jogado no lixo.

Quando Melissa e eu falamos isso para alguns amigos, percebemos que alguns nem acreditam. Devem achar que somos afetados por algum tipo de pedantismo contagioso. Fico pensando “Será que eles acham que somos metidos a intelectuais?” A verdade é que ficamos “boiando” quando o assunto é alguma série estrangeira de sucesso, ou mesmo uma novela ou o Big Brother. Não há nenhuma razão específica para isso. Não foi uma decisão forçada. Não sei bem o porquê, mas acho sem graça (quase) tudo que passa na TV.

Nem sempre foi assim. Lembro-me do tempo (parece até que foi em outra vida) em que sabia os nomes dos personagens da novela das oito, e não me irritava com a voz do apresentador dominical. Acho que fomos geneticamente programados para nos acostumar com o ambiente a nossa volta, mesmo quando ele é hostil. Já me aconteceu de chegar num hotel, depois de uma viagem a um lugar desconhecido, e ficar meio preocupado com as redondezas. Depois de um único dia, já estava “acostumado” e conseguia sair para dar uma volta. Com televisão, deve ser parecido. A gente acaba se habituando aos excessos, ao sensacionalismo, às vozes estridentes, comerciais abusivos, noticiários com histórias distorcidas e mal contadas. É comum sairmos de um ambiente qualquer, um restaurante, por exemplo, e nos percebermos gritando um com o outro… era a televisão que estava a todo volume e nem tínhamos nos dado conta de que nossa conversa acontecia aos berros.

Pare para pensar um minuto: do ponto de vista das emissoras, que são empresas que buscam gerar lucro, somos todos apenas consumidores. Tudo o que é produzido tem um objetivo: vender nossa atenção aos anunciantes. Além disso, olha que curioso, descobri que um livro infantil tem um vocabulário mais amplo do que um programa de TV (para adultos!) no horário nobre. A TV invade seu espaço e escolhe, da maneira mais conveniente ($$), o que você deve assistir. Segundo o poeta inglês T.S. Eliot, “a característica mais marcante da televisão é que ela permite milhões de pessoas rirem ao mesmo tempo e ainda se sentirem sozinhas”. Verdade ou mentira?!

Acredito que nossa mudança de vida tem algo a ver com a ausência da TV em nosso cotidiano. A internet ocupou um pouco desse espaço. Ali, você escolhe o quê e, sobretudo, a fonte. Isso faz uma diferença enorme naquilo que você pensa sobre o mundo a sua volta. Mas o espaço deixado pela TV também foi ocupado por leitura e, sobretudo, muitas conversas noturnas sobre ideias e planos. Foi ocupado até pelo silêncio, de vez em quando. Acreditem, silêncio não faz mal a ninguém.

Quando era criança, assistia filmes do Bruce Lee, e saía na rua pronto para me defender de qualquer mau elemento que me olhasse torto (Não preciso dizer que nunca quebrei uma unha em briga de rua). Hoje, quando assisto a dois ou três “TED Talks”, saio por aí com vontade de mudar o mundo…

E você? Sentiria falta da sua televisão em casa? O que seria diferente em você se ela não estivesse lá? Como você veria o mundo à sua volta?

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Bruno Maciel
Bruno largou tudo, foi morar no Uruguai como a Melissa e o Martin, e criou o Blog Vida Borbulhante. Quer ter uma vida mais plena e interessante? Passe lá para conhecer. Curta o Blog no Facebook.



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