Como sobreviver ao fim de um relacionamento

Por Maria Cristina Ramos Britto

O sofrimento experimentado por uma separação é tão doloroso que pode ser comparado ao do luto. A forma como a pessoa entrou no relacionamento também determina a extensão das emoções que vêm à tona no rompimento: quem procura sua cara-metade, sua alma gêmea, quem é emocionalmente dependente do amor e da atenção do outro sofrerá a separação de forma muito mais dolorosa, com sensações de desesperança, desânimo e desvalor mais profundos do que quem ama e se dedica ao parceiro, mas mantém suas individualidade (inclusive financeira) e identidade preservadas.

Para superar a fase dolorosa e difícil que se segue ao fim de uma relação afetiva, é fundamental contar com uma rede de apoio, formada por familiares e amigos; ter uma atividade, como um trabalho, mesmo voluntário, um hobby, voltar a estudar, fazer cursos, enfim, ampliar os interesses; não ficar em casa, sentindo pena de si mesmo, mas retomar amizades, aceitar convites para sair e viajar; cuidar da autoestima, mudar o guarda-roupa e o visual, limpar gavetas e armários, decorar a casa. Em outras palavras, reapaixonar-se pela possibilidade de ser feliz novamente.

É importante, principalmente, resistir às tentações mais comuns e que provocam muita angústia e alimentam os pensamentos negativos: seguir o ex nas redes sociais, buscar notícias através de conhecidos em comum e até forçar uma reaproximação. A orientação é adotar um estilo de vida saudável, praticando exercícios físicos e evitando abuso de álcool e remédios, como os antidepressivos, que, se usados de maneira inapropriada, servem apenas para amortecer temporariamente a tristeza; e seguir uma alimentação saudável, não descontando a frustração na comida.

É preciso ficar atento para os primeiros sinais de que a tristeza esteja se tornando depressão: a pessoa manifesta pessimismo exagerado e injustificado em relação ao futuro e à capacidade de superar a dor, não aceitando os argumentos contrários porque se sente vazia e impotente diante da situação, como se tivesse não apenas perdido o rumo, mas também o controle de si mesma. O sofrimento necessita de um tempo para ser assimilado, entendido e vencido, para que o indivíduo se reconstrua emocional e psicologicamente, mas não deve ser tornar eterno.

Qualquer situação de crise existencial pode e deve ser usada para se repensar a vida, como uma oportunidade para se conhecer melhor, refletir sobre o que aconteceu, festejar os acertos e não repetir os erros. Tudo isto faz parte de um processo natural, que varia de um indivíduo para outro. Mas se a pessoa está muito fragilizada, presa num ciclo de raiva e amargura desmedidas, e sente dificuldade de juntar os cacos, julga-se culpada pelo que aconteceu e incapaz de seguir em frente, é preciso procurar ajuda especializada, e a psicoterapia é o caminho mais indicado.

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Maria Cristina Ramos Britto
Psicóloga com especialização em terapia cognitivo-comportamental, trabalha com obesidade, compulsão alimentar e outras compulsões, depressão, transtornos de ansiedade e tudo o mais que provoca sofrimento psíquico. Acredita que a terapia tem por objetivo possibilitar que as pessoas sejam mais conscientes de si mesmas e felizes. Atende no Rio de Janeiro. CRP 05/34753. Contatos através do blog Saúde Mente e Corpo.



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