Chega de superficialidade, por Josie Conti

Chega de superficialidade.

Uma das primeiras coisas que aprendemos na escola é que um texto precisa ser dividido em três partes: deve começar com uma introdução, onde explique sobre o que vai falar, na sequência, o tema deve ser desenvolvido com opiniões e explanações sobre o assunto e deve terminar com uma conclusão. Entretanto, o que tenho visto em inúmeros sites e blogs que pretendem trazer material crítico é uma série de argumentos agressivos e superficiais e que, o que é pior, no final, não concluem nada.

As linhas dos textos parecem com as ruas cheias de vândalos mascarados. Percebe-se uma raiva contida que explode e é canalizada em destruição, ora com palavras, ora do patrimônio público.

Penso que a grande causa dessa falta de objetividade é a cultura da superficialidade que traz consigo o excesso de consumo e a falta de tempo. Trabalha-se demais para se ter renda suficiente para comprar e pagar os bens. A aparência dos bens é sinônimo de felicidade, logo, é necessário e cobrado socialmente que as pessoas não só os tenham, mas, aparentem estar felizes.

Artistas, casas de luxo, roupas de grife são retratados pela mídia como símbolos de felicidade. Porém, sabemos que os casamentos são curtos e o número de traições são infinitas. Na verdade, é tudo igual a gente, só que um pouco pior, pois, a vida divulgada em tempo real de maneira pública e, muitas vezes, inconsequente. É tudo parte de um show. Não tenho nada contra o show, o que questiono é o porquê de as pessoas realmente acreditarem que os famosos, por estarem na mídia ou terem (se é que têm mesmo) mais dinheiro, são mais felizes do que elas.

Outra coisa que me chama a atenção é o aumento da busca por filosofias de vida e religiões orientais. Eu não tenho a menor dúvida do valor real do budismo ou da prática do yoga, por exemplo, mas, acho absolutamente ridículo que as pessoas procurem por essas linhas por que estão na moda.

Tenho um colega que é proprietário de uma página com mais de 400 mil fãs no Facebook e que outro dia me disse: “A piada tem que ser autoexplicativa, se for preciso pensar, a postagem é um fracasso.” Acho isso muito triste.

Sou uma profunda admiradora da beleza, da arte e da estética de maneira geral. Como já disse também, respeito às religiões e suas filosofias, mas, o que me deixa indignada é que se nos focarmos apenas em um lado da coisa, perdemo-nos, não concluímos.

Como no excesso de compras, as pessoas também reproduzem o excesso de coisas banais, ideias superficiais, páginas sem conteúdo em que, ou encontramos o humor burro e apelativo, as frases de autoajuda, ou o mar de indiretas. E a verdade? E a polêmica? E o confronto que nos ajuda a construir verdadeiros argumentos e crescer como seres humanos?

Enquanto, por um lado, o número de pseudo “budistas” não para de aumentar, do outro lado resta estourar tudo com o rosto escondido para evitar a prisão.

O que é comum a ambos os lados, entretanto, é o mal-estar, a falta de sentido na vida e no que a sociedade prega como ideal.

Os textos sem final refletem o sentimento sem síntese, sem conclusão. Fotos de viagens são lindas, mas, são só fotos. Precisamos dar algum sentido a nossa passagem pelos lugares, pelas pessoas.

Sinto dizer, mas, não é mais um sapato que vai explicar isso.

Josie Conti

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Josie Conti
Blogueira e empresária. Após trabalhar anos como psicóloga, abandonou o serviço público para manter seus valores pessoais. Hoje, a Josie Conti ME e sua equipe trabalham prioritariamente na internet na administração funcional, editorial e publicitária de redes sociais e sites como A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil, além de várias outras fan pages que totalizam cerca de 6.5 milhões de usuários. É idealizadora da CONTI outra, o projeto inicial que leva seu nome.



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