Carta aberta ao amor que mereço

Não mereço um amor pela metade. Um amor que finge permanência, que não se entrega de verdade e que não reproduz o respeito e o carinho acordados. Já tive amores demais para perder tempo com sentimentos de menos.

É tudo bem simples e não precisa muito esforço para entender. Se você quer nós dois, demonstre. Faça valer a soma dos interessados. Cuide da nossa morada, construa pontes para o nosso encontro. Se não houver reciprocidade, por mais que eu te ame, levarei os meus inteiros para outros abraços. Não preciso de caridade amorosa.

Sou livre há muito tempo. Aprendi através das maiores despedidas que o amor que fica não solicita convite. Ele apenas fica, mesmo com a distância, com o tempo desalinhado e com outros desvios no caminho. Ele reside na companhia de quem realmente quer fazer parte da vida do outro. Ele não nega emoções. Saber onde pisa é a maior responsabilidade do amor.

O amor que mereço não é eterno e nem precisa sê-lo. Mas ele é sincero, não é covarde. Talvez ele tenha passado e não percebi. Talvez ele ainda vá chegar e não estarei por perto. Não posso responder sobre alguém hipotético, mas posso continuar falando sobre alguém que é realidade. No caso, eu. E o amor que julgo merecer não é uma ideia passageira, pelo contrário, é um aconchego que sempre esteve comigo. Dentro dos meus espaços, o amor é uma constante evolução.

Não sei se essa carta chegará até você ou se a lerá com o sentir que a escrevi. De qualquer forma, nada muda. O amor que mereço é sintonia, um pouco de sorte e mais um bocado de vontades prévias. O amor que mereço é uma escolha nossa. A cada desencontro, a cada recomeço.

Imagem de capa: Estate Violenta (1959) – Dir. Valerio Zurlini

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Guilherme Moreira Jr.
"Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro"

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