Carta a quem já se foi

Imagem de capa: LawSayWhich/shutterstock

Para você, cujos olhos eu enxergo a cada vez que me olho no espelho; para você, que vibrou com meus primeiros passos e hoje não mais anestesia minhas quedas; para você, pai, tento, sem muito sucesso, encontrar palavras que dimensionem e aliviem a saudade que não é pouca.

A saudade do teu riso de criança ecoando pelos cômodos da nossa casa amarela.

A saudade do barulho da TV ligada pelas madrugadas, que velava meu sono ao sinalizar tua presença.

A saudade dos dedos com cheiro de bergamota; do peito que se fazia travesseiro para meus sonhos de criança; da pele cujo cansaço já desenhava marcas.

Ainda é, por vezes, dolorido conquistar o mundo e não receber teu sorriso orgulhoso como recompensa.

É dolorido conhecer e amar novas pessoas para quem só conseguirei mostrar a beleza da tua existência através de fotografias e histórias.

É dolorido existir num mundo que nos arranca precocemente justamente aqueles que nos curam de existir.

Mas toda a dor que mora na saudade é, também, testemunha da minha infinita capacidade de sentir amor. E isso é bonito.

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Patrícia Pinheiro
Gaúcha e estudante de Psicologia. É escritora e revisora de textos na Sociedade Racionalista, colunista do CONTI outra, artes e afins, Fãs da Psicanálise, Inspiring Life e escreve, ainda, para o Blogueiras Feministas; Brasil Post; Benfazeja; Psiconline Brasil e Puta Letra. É feminista, apaixonada por moda e assumidamente viciada em filmes e séries. Ainda irá viver da escrita.

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