Bonito é ver um ‘eu te amo’ surgindo do nada

Bonito é ver o ‘eu te amo’ saindo do corpo antes das palavras, antes da boca, antes do orgulho ceder e da razão concordar. Antes da vida se encaixar.

Bonito é ver o ‘eu te amo’ estampado na temperatura da pele, no vermelho da face, nos olhos surpresos, nos gestos, no afeto cru e sem jeito. Nas vontades dos pelos.

Bonito é ver um ‘eu te amo’ encontrando o outro, em plena explosão de coincidências.

Bonito é ver que ‘eu te amo’ é química, é magnetismo que age com as próprias leis.

Instintivo, encontra seu coração-alvo pela variação químico-física das ondas sonoras da aura. Bonito é ver um ‘eu te amo’ que não precisa ser inventado pela situação e nem precisa ser dito. Ele está muito longe de ser frases para dizer bom dia e até a próxima.

Bonito é ver o ‘eu te amo’ girando o mundo. Encurtando as distâncias, derrubando as máscaras. Querendo ser maior que tudo.

Bonito é ver um ‘eu te amo’ que não sabe mais se esconder. Bonito é sentir o ‘eu te amo’ crescendo em meu peito antes de me dar conta dele. Bonito é acordar de sobressalto no meio dos dias e perceber o inesperado, um ‘eu te amo’ tão vivo e pronto para alçar voo.

Bonito é ver o ‘eu te amo’ amadurecendo antes de mim, de você, de nós. E seguirmos nossas vidas, e fingirmos que não vimos, mas vimos. E fingirmos que ele não existe, mas existe. E quer colo e quer leito e seiva. E quer se fazer notar.

Bonito é ver um ‘eu te amo’, reconhecê-lo e o deixa-lo ser, e abrir caminhos para ele passar. Bonito é ter olhos e corações de ver e viver ‘eu te amos’.

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Clara Baccarin
Clara Baccarin é poeta, escritora e tradutora. Autora do romance Castelos Tropicais (Ed. Chiado, 2015), e do livro de poemas Instruções para Lavar a Alma (Ed. Sempiterno, 2016). É uma contadora de histórias que adora poetizar o mundo. Escreve por amor e rebeldia: desconstruindo verdades, brincando com as palavras e ressignificando a vida.



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