As trintonas e os homens maduros

Em um inconsciente coletivo tão cheio de críticas aos homens, pensei que cabia a mim escrever bem sobre eles. Especialmente sobre os coroas (se me deixarem chamar os senhores acima dos 50 assim).

Casei-me aos trinta e um. Separei-me em seguida (sim! daqueles causos de quem namora anos e se separa logo após o casamento). Desde então, eu senti, de forma bem inconsciente, uma necessidade de conviver com pessoas mais velhas. Estudava filosofia e notei que eu me sentia muito melhor conversando com homens e mulheres de 45 anos para cima do que com as pessoas da minha idade. A minha escolha de não ter tido filhos, compartilhar “a vida após um divórcio”, seguir em frente com alegria e otimismo cativaram minhas novas amizades.

Assim, sem notar, fui me cercando de novos e bons amigos mais velhos. Junto com eles, uma nova percepção também se tornou extremamente comum: homens com mulheres vinte ou trinta anos mais novas. Assistir a esses casais com dias felizes “após uma separação ou divórcio” encheu a minha vida de cor. Fiquei intrigada com essas relações, porque são casais muito agradáveis e que aprecio muito a companhia. Aliás, muitos deles são mais joviais e com energia do que outros tantos casais jovens (e mornos) que conheço. Assim, das minhas observações e muitas conversas com essas trintonas, assim como eu, tirei algumas respostas de porque esses relacionamentos são mesmo especiais:

1) Homens mais velhos tem mais segurança emocional. Eles, geralmente, se sentem seguros quanto às suas decisões, portanto são menos preocupados “com o que os outros vão dizer e pensar”. Isto passa uma tranquilidade e segurança emocional para a mulher, do tipo: ”ele sabe o que ela está fazendo e eu posso relaxar ao seu lado; Thanks God! Ele não é o bebê da mamãe”.

2) Tranquilidade. Por já terem percorrido mais pela vida, esses homens maduros não têm a ansiedade de fazer, ver, rodar, provar, promover viagens, contatos, família ou o que quer que seja. A espontaneidade é um ingrediente mágico que só surge em um relacionamento onde ambos estão relaxados e conscientes que não há “um lugar ou um ideal a ser alcançado”.

3) Família não é uma questão. Os filhos já existem e são grandes. Estes homens já passaram da fase “macho-provedor da família” e muitas das mulheres que estão com eles não pensam em ter filhos. Até conheço algumas que curtem muito o papel de “vódrastas”.

4) Com menos pressões ou cobranças qualquer casal é mais feliz. Mas estes homens tiram de letra até as TPM´s femininas. Muitos já conviveram com tantas mulheres (mãe, irmãs, esposas, filhas) que a esta altura já sabem e-xa-ta-men-te como lidar com a emocionalidade a flor da pele das trintonas. São doces e acolhem elas nos dias em que se sentem mais frágeis.

5) Naturalmente, essas mulheres estão ao lado de homens que admiram e respeitam. Nesta troca, por sua vez, os homens estimulam e elevam as qualidades, aptidões e dons de suas parceiras.

6) É mais do que sabido que o ápice da vida sexual de uma mulher é aos trinta, assunto para lá de explorado no seriado Sex and the City. E segundo as mulheres, esses homens maduros continuam sendo os melhores parceiros. A segurança que sentem sobre si mesmos é levada para cama. Não há pressa, não há obrigações. E o melhor, eles estão mais dispostos a dar prazer. As mulheres, por sua vez, se sentem mais apreciadas e encontram a melhor forma de retribuir a delicadeza masculina.

7) A vida do casal é tão divertida, tão leve e fluida que não há tempo a ser perdido com DR´s (discussões de relacionamentos). Em um campo de aceitação do outro e com muita cumplicidade se cria menos espaço para desavenças ou competições egoicas. Segundo uma das mulheres com quem conversei:”Estamos juntos apenas porque queremos. Cada um tem sua vida. Se é para estar junto que seja para compartilhar e curtir o que faz sentido para nós. De contrariedades já basta as outras coisas da vida. Com ele, eu só quero desfrutar o que o amor pode nos proporcionar”.

E assim cheguei a minha conclusão que estes relacionamentos não são jogos, onde um ganha e o outro perde; mas sim, uma troca equilibrada onde ambos ganham. Certamente, mentes maduras e campos emocionais equilibrados contam muito. Confesso que foi com eles que aprendi que o papo metade da laranja é o fim da picada, mesmo nas amizades, só há frutas inteiras. Adultos que se autoconhecem e sabem apreciar a vida sozinhos e que quando estão na companhia de outro é para ser e se sentir melhor ainda.

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Helena Verhagen
Helena é jornalista de formação e escritora por intuição. Nasceu em São Paulo, viajou pelo mundo e agora parou em Lisboa. Em 2015 lançou seu primeiro livro "O Mundo é das Bem-Amadas" que trata sobre o amor próprio e intuição. Vive a vida para contar histórias. Escreve para o seu site, que leva o mesmo nome do livro (www.omundoedasbemamadas.com.br) e outras mídias que abordam sobre o tema autoconhecimento.



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