Aos professores sobreviventes

Hoje, 15 de outubro, é Dia do Professor e sabemos que homenagens vãs cansam e incomodam. Quando a matéria é Educação, na maioria das vezes, não há o que se comemorar.

Nossos filhos são passarinhos coloridos que nascem e são engaiolados para que suas asas se atrofiem lentamente. Não voam mais em suas casas, não voam em suas brincadeiras e os pais não estão mais por trás para segurá-los ou empurrar suas bicicletas. Quando caem, a queda é fria e faltam braços para estimular seus próximos passos e tentativas. Falta educação, falta beleza na educação, falta encanto e falta afeto. Faltam também educados e educadores, mas há sobreviventes.

Assim, embora a data mereça comemoração, não é todo e qualquer professor que merece os nossos cumprimentos. Cumprimentamos, aqui, aqueles professores que estimulam a reabilitação das asas atrofiadas de nossas crianças. Aqueles que, sejam eles quem forem, tenham eles títulos ou não, se dediquem a  perpetuar a esperança dos seres em formação. Estes, sim, são professores de verdade.

Ler é fácil, difícil é saber o que escrever numa folha em branco.

Professor de verdade é aquele que consegue sobreviver às regras da escola tradicional e mostra ao aluno que educação não é algo a que se obrigue, que valoriza mais o acerto do que o erro do aluno e que, mais do que quantidade de conteúdo, ensina que para se viver é necessário que se aprenda a olhar, independente da direção escolhida…

Reproduzir conteúdo é fácil, difícil é humanizar.

Professor de verdade é aquele que ensina pelo exemplo, superando-se em face de seus  próprios erros. Provavelmente quando o lado mais fraco aparece é que as maiores lições podem ser tiradas. É aquele que disciplina a rotina ao mesmo tempo que indisciplina a alma do aluno, levando-o sempre ao questionamento.

Professor de verdade é aquele que ama o conhecimento, porém, mais do que a cultura, ama o ser humano que por ela deverá ser seduzido. Num tempo em que as regras e o respeito não são comportamentos esperados, é necessário descontruir barreiras, implodir redomas de autodefesa de quem tantas vezes nem aprendeu a receber afeto de forma construtiva.

Bem sabemos que amar não é fácil, mas que o futuro só é possível se a humanidade puder valer-se de professores que amam.

A vocês, a nossa homenagem: aos professores que amam.

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Josie Conti
Blogueira e empresária. Após trabalhar anos como psicóloga, abandonou o serviço público para manter seus valores pessoais. Hoje, a Josie Conti ME e sua equipe trabalham prioritariamente na internet na administração funcional, editorial e publicitária de redes sociais e sites como A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil, além de várias outras fan pages que totalizam cerca de 6.5 milhões de usuários. É idealizadora da CONTI outra, o projeto inicial que leva seu nome.



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