Amor que não serve

Por Lucy Rocha

Hoje um amigo me ligou aos prantos dizendo que “cansou de lutar”, “cansou de sofrer” e de “fazer tudo por ela” e “só levar porrada”. Ele queria saber o que fazer. Como se eu soubesse…Ainda assim, arrisquei. Eu disse que apenas parasse de idealizar, de inventar dentro da cabeça uma pessoa diversa daquela que ele tem na realidade. Ele me disse que “quem ama não desiste”…E por isso carrega esse “amor” como uma mala pesada e incômoda que não lhe permite avançar.

Bom, já escrevi outras vezes sobre esse “amor” que exige luta e disse com grande conhecimento de causa: isso não é amor. Isso é projeção de suas carências sobre o outro. É por o outro na posição de quem vem para “nos salvar”, “nos cuidar”, porque não sabemos fazer isso por nós mesmos. Daí lembrei de algo que li uma vez, tendo ficado com o seguinte aprendizado:

Querer muito uma pessoa pode nos levar ao engano absoluto. Iniciamos um processo de encaixar aquele outro ser humano em posições que nunca foram dele, que ele nunca desejou ocupar ou nunca mereceu. Pedimos para Deus, para o universo e todos os santos por um SIM em algo que já começou destinado ao NÃO.

É bater o pé, fazer pirraça como criança para conseguir algo que em nenhum momento deu sinal de ser algo bom, positivo, agregador. Essa insistência toda nos deixa míopes, nos impedindo de enxergar que amor tem que ser uma via de mão dupla. Não pode ser difícil, trazer dor, choro, falta. Não pode ser “uma luta” e se for uma luta, não pode ser solitária. Amor não requer que um se humilhe enquanto o outro submete a humilhação. Amor é troca.

Esse amor que se torna uma luta homérica para acontecer nada mais é do que reflexo do ego de quem não desiste de algo que não é para ser apenas porque não está habituado a ouvir NÃO.
Esse amor que humilha e rebaixa é apenas uma fonte de dor infinita. E amor assim não encaixa, não combina, não serve.

Você se descobre maduro quando aprende a distinguir este nobre sentimento de ego, dor, submissão, dependência emocional ou idealização. Você se descobre maduro quando aprende a se despedir com um corte rápido, limpo e indolor de qualquer coisa que não se encaixe na simplicidade, leveza e alegria do que deve ser o amor. O amor que serve.

Lucy Rocha, advogada, personal coach e administratora da página Relações Tóxicas e a Perversão Narcísica.

A reprodução desse material foi autorizada pela autora.

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