Algumas palavras sobre o estupro

O estupro vem da objetificação da mulher.

O estupro vem de uma cultura em que vídeos pornôs propagam um pinto sem face comendo mulheres acrobáticas, performáticas e sempre prontas para mais.

O estupro vem de um moralismo hipócrita social, vem de um machismo velado mais ao mesmo tempo explícito, vem de uma imposição de poder.

O estupro é a inflamação de uma virilidade antiga, de uma educação que divide comedores e putas, detentores do poder e vadias sujas, proprietários e propriedades.

O estupro vem de uma cultura de posse, vem da mitificação da bunda e dos mamilos femininos, vem da over sexualização das partes do corpo da mulher, vem das punições, dos julgamentos, das estereotipações, das castrações e dos medos.

O estupro vem do desrespeito milenar, da síndrome de superioridade, dos abortos das falas e das vontades da mulher, da falta de empatia com o outro sexo, com o outro ser humano.

O estupro vem de uma cultura em que o corpo da mulher pertence a todos, (homens, mídia, governo, religiões…) menos a ela mesma.

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Clara Baccarin
Clara Baccarin é paulista dos interiores, nascida nos anos 80. É escritora, poeta e agitadora cultural. Faz parte do grupo editorial Laranja Original e escreve regularmente para o site Conti Outra. Publicou, pela editora Chiado, o romance poético Castelos Tropicais (2015) e a coletânea de poemas, pela editora Sempiterno (2016), Instruções para Lavar a Alma. Em 2017 lança, em parceria com músicos e compositores, o álbum Lavar a Alma, que reúne 13 de seus poemas musicados.


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