Acreditar em horóscopo não é inofensivo: como a astrologia pode fazer mal

Muita gente diz não acreditar em horóscopo, mas gosta de lê-lo de vez em quando, e reclama que essa “diversão” é inofensiva. De fato, não parece que crer em signos afeta o mundo negativamente, não é mesmo? Mas a questão é que pode.
A ciência simplesmente não admite a astrologia. Não há absolutamente nada que explique ou prove que o alinhamento dos planetas pode influenciar nossas psicologias ou o desdobramento do universo.
Na verdade, toda a premissa por trás astrologia baseia-se em parâmetros bastante frágeis; o que chamamos de “meses” são, na verdade, construções de tempo culturais, e não cosmológicas. Além disso, o nosso universo em expansão e tudo o que está dentro dele está em um constante estado de fluxo.
Independente das inúmeras evidências de que a astrologia não é verdadeira, o foco deste artigo é explicar porque ela pode fazer mal para você.

Pensamento acrítico

Uma pesquisa recente da National Science Foundation dos EUA mostrou que mais de 40% dos americanos acham que a astrologia é uma ciência (e não, não foi porque os entrevistados confundiram astrologia com astronomia). A NSF usa essa pesquisa como um tipo de métrica para “a capacidade do público de distinguir ciência de pseudociência”.
Outros estudos têm mostrado que as mulheres são mais atraídas para a astrologia do que os homens. Uma pesquisa do Gallup de 2005 revelou que 28% das mulheres acreditam em astrologia, contra 23% dos homens, nos EUA. No Canadá 33% das mulheres são crentes da astrologia.
Julia Hemphill, socióloga da Universidade de York (Canadá), afirma que há mais por trás dessa estatística do que o aparente: a mídia popular especificamente visa as mulheres no que diz respeito a fazê-las crer em astrologia.
“A astrologia é uma epistemologia não empírica que é impingida às mulheres como uma forma de entender a si mesmas e o mundo. Tudo o que você tem a fazer é abrir uma revista feminina, e você inevitavelmente vai ver pelo menos uma ou duas páginas dedicadas a astrologia”, explica Hemphill. Por isso, a socióloga diz que é razoável questionar o grau em que as mulheres são, em última análise, impedidas de conhecer e se envolver em ciência de verdade, já que são agressivamente bombardeadas com pseudociência.
Com o pouco incentivo que já existe para a mulher na ciência – o que é péssimo, pois elas são tão capazes quanto os homens nesse campo -, certamente esse comportamento da mídia não ajuda em nada o avanço da sociedade.
Mas o mais grave problema que a crença em astrologia causa é outro: de acordo com o astrônomo Phil Plait, ela dá origem ao pensamento acrítico.
“Quanto mais nós ensinamos as pessoas a simplesmente aceitar histórias anedóticas, boatos, dados escolhidos a dedo (usando o que apoia suas reivindicações, e ignorando o que não) e, francamente, mentiras, mais difícil fica para as pessoas pensar com clareza. Se você não pode pensar claramente, não pode funcionar como um ser humano. Pensamento acrítico está destruindo esse mundo, e enquanto a astrologia pode não estar no centro de tudo isso, ela tem o seu papel”, argumenta.
De fato, pensamento crítico tem o poder de mudar o mundo para melhor, enquanto seu oposto só leva a más decisões.

Fatalismo

E os perigos não acabam por aí.
A crença na astrologia implica uma crença em uma predestinação cosmológica. Ao oferecer um “significado cósmico” para nossa rotina, a astrologia sugere um fatalismo perigoso: se nossas vidas são controladas por um conjunto de sinais no céu, por que tentar mudar alguma coisa?
Esse negócio de “destino” e “escrito nas estrelas” impede as pessoas de pensarem nas consequências de seus atos, no seu livre-arbítrio, ignorando a natureza aberta do futuro e ofuscando o papel da natureza e da criação no desenvolvimento de nossas psicologias.

Preconceito e viés cognitivo

Astrologia também é ruim para nossas relações, porque nos diz para pré-julgar as pessoas de acordo com seus signos astrológicos. Quão sem noção é isso? Não é muito diferente de outros preconceitos, como o racismo.
“Tanto a astrologia quanto estereótipos raciais são baseados em uma estrutura de crença que basicamente diz: ‘Mesmo sem conhecê-lo, eu acredito em algo sobre você’. Esperamos ver um tipo específico de comportamento ou traço (teimosia, preguiça, arrogância, etc) em membros de certo grupo específico de pessoas (judeus, negros, Áries, Peixes etc). Essa lista pré-existente de suposições (preconceitos) sobre essa pessoa e seu comportamento, personalidade e caráter faz com que as pessoas procurem confirmar suas expectativas”, afirma o escritor e cético americano Benjamin Radford.
A astrologia também leva as pessoas a serem vítimas do efeito de seleção observacional, um viés cognitivo no qual observamos os traços que queremos ou esperamos perceber em outras pessoas, enquanto ficamos cegos a suas demais características.
Por exemplo, se alguém me pergunta meu signo e eu respondo “Virgem”, ela automaticamente responde: “Por isso você é tão organizada e perfeccionista”. Sim, eu sou organizada, mas eu sou muitas outras coisas também. Além disso, não sou organizada por sou de Virgem.
Esse viés ou “preconceito” leva as pessoas a avaliarem as outras de um jeito tipicamente tendencioso que em última análise pode causar uma impressão errada.

Influências negativas

Por fim, as pessoas que acreditam cegamente na astrologia podem tomar decisões baseado em uma coisa que nem sequer é verdade. Nos piores casos, pode levar a uma profecia autorrealizável, que é quando as pessoas mudam suas personalidades, comportamentos e processos de tomada de decisão para eles fiquem de acordo com suas expectativas astrológicas.
É simplesmente muito perturbador que alguém use signo astrológico ou horóscopo para tomar decisões importantes na vida. O que é precisamos fazer é levar em conta nossas predisposições “naturais” e usar nosso próprio pensamento crítico para saber o que é melhor para nós mesmos.

Fontes: IO9, Hiper Science

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