A vacina para a raiva…

Estamos vivendo um momento de raiva. Mas não estamos sozinhos.

Se, no Brasil, vivenciamos uma crise política grave, de distintas manifestações, e um possível processo de Impeachment, na Europa, vários países sofrem com a chegada dos refugiados, que, por sua vez, sofrem nas mãos dos racistas e dos intolerantes. Terroristas aproveitam para se fixar no continente, gerando medo e mais revolta.

A Síria está devastada, tomada pelo Estado Islâmico, que tem, em seu poder, mulheres e crianças como escravas sexuais, além dos jovens franceses em campo, seduzidos estrategicamente, através das redes sociais, por terroristas especializados na arte da lavagem cerebral e sedução.

Os Estados Unidos temem a vitória de um presidente racista, com ideias radicais, como a construção de um muro entre o seu país e o México.

Países da África continuam com fome, sem escolas, hospitais e saneamento básico. Milhões de pessoas que desconhecem o que é água potável e o mínimo de nutrição.

A Índia, com suas crianças propositalmente deformadas, continua a pedir esmolas, enquanto tantas mulheres têm que lutar contra o estupro coletivo. A fome e a miséria também acompanham a história desse país.

Inúmeros são os problemas e, dentre os considerados mais graves mundialmente, estão: a malária, a continuidade do contágio do vírus HIV, a falta de saneamento básico, falta de água e alimentação, conflitos e guerras, refugiados, corrupção, educação e mudança climática.

Não bastassem os problemas de ordem mundial que afetam a todos nós em algum momento, vivemos cada um os problemas do próprio país: o desemprego, o caos nas grandes cidades, violência, trânsito congestionado, inundações, desemprego, falta disso, falta daquilo e, agora, uma reação em cadeia que parece não ter fim. A falta de entendimento e a raiva se escancaram nas redes sociais.

Estamos todos com raiva, cansados ou esgotados de alguma forma. A falta de melhores perspectivas tomou conta da maioria de nós, com um olhar de pessimismo e rancor. Quem, afinal, irá pagar por todos esses problemas com que somos obrigados a conviver? Se não tem solução, então que se punam os culpados!

Quem trabalha está cansado de trabalhar. Quem não consegue emprego está farto das buscas malsucedidas. Quem procura por uma saída está sem rumo, num labirinto de discórdia e de dificuldades sem fim.

Há quem tenha suas mesquinhas preocupações como o carro do ano, a dieta da vez, as roupas usadas no “Oscar” ou os novos exercícios de agachamento para um bumbum mais firme. A alienação de uns também alimenta a indignação de outros. Mas fato é que ninguém parece estar satisfeito.

As notícias no jornal, internet ou rádio são quase sempre alarmantes. Vivemos um terror psicológico diário que em nenhuma direção aponta positividade ou esperança de um mundo melhor.

Mas, por questão de sobrevivência e instinto, ainda buscamos algum sentido nesta vida. Com o mundo à beira do caos, em nome de nossa sanidade mental, criamos nossos minúsculos mundos de paz e válvula de escapes, seja no trabalho, na família ou com os amigos.

Numa sociedade onde a raiva se tornou contagiosa, tentamos nos lembrar de que a alegria, as gentilezas e os sorrisos também contagiam.

Ainda que em extinção, melhor vacina no momento não há!

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Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), “O milagre da vida” (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). "Nosso Alzheimer." (Romance), Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br

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