A ingratidão adoece o coração

“Os infelizes são ingratos; isso faz parte da infelicidade deles.” (Victor Hugo)

Não importa se os dias estão corridos e céleres, se não temos mais tempo de nada, assoberbados que estamos com as atribulações que nos preenchem os pensamentos. Não importa se é quase impossível conseguirmos arranjar espaço em nossa agenda para conversar com os amigos, mesmo que seja mandando uma mensagem. Demonstrar gratidão e dizer “muito obrigado” sempre fará bem a todos os envolvidos. Sempre.

Da mesma forma que nos sentimos bem quando podemos ajudar as pessoas, demonstrar ao outro todo o apreço que sentimos, o quanto ele fez e faz a diferença em nossas vidas, agigantará as benesses daquela ação, trazendo contentamento a ambas as partes. Ninguém precisa ficar sabendo das ajudas que promovemos e obtemos, mas tanto a quem as oferta, quanto a quem as recebe, é importante manter a certeza da relevância daquela troca. O mundo precisa de bondade se espalhando.

Na verdade, a caridade e a ajuda ao próximo devem ser praticadas incondicionalmente, sem cobranças de quaisquer tipos, uma vez que estaremos nos sentindo bem sempre que nos dispusermos a sair de nós mesmos, para enxergar o outro com empatia e generosidade. Ninguém precisa saber do que estamos fazendo para que nos sintamos em paz e realizados. Trata-se de uma alegria que preencherá a nós mesmos e bastará por si mesma.

Além disso, estaremos sujeitos, com frequência, a nos depararmos com a ingratidão de uma forma muitas vezes cruel e injusta. Muitas pessoas vão distorcer o que fizemos ou dissemos com sinceridade e disposição, de maneira a fazer aquilo tudo parecer desprovido de valor. Outras vezes, seremos cobrados cada vez mais e, nos momentos em que não pudermos colaborar, tudo aquilo que já fizemos será esquecido, como se tivesse sido em vão.

O importante é mantermos a certeza de que aquilo que fizemos de bom jamais se apagará, principalmente dentro de nossos corações, a despeito de toda ingratidão que recebermos em troca. A realização de estarmos em paz e satisfeitos é o que permanece dentro de nós, tornando-nos mais felizes e completos. Já o coração de quem se recusa a ser grato se tornará cada vez mais frágil e carente.

Como diz o poeta, ninguém é uma ilha, ninguém vive somente por si só, pois as ações de cada ser humano se propagam e atingem os demais, seja de maneira positiva ou negativa. Sejamos, então, parte daquele grupo de pessoas que se dispõem a tornar a vida do próximo menos densa, acreditando no ser humano, apesar de tudo. Tornar alguém feliz, afinal, já é um grande passo em direção à nossa própria felicidade. E quem não quer ser feliz?

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Marcel Camargo
"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.



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