A dor nos torna mais humanos

Por Tirza Balmant

Rollo May, psicólogo existencialista, escreveu sobre vários aspectos da humanidade, para ele o sofrimento faz parte da existência humana. Todos nós tendemos a buscar experiências que nos trazem alegria e nos façam sentir confortáveis. Essa tendência, entretanto, leva-nos a julgar e rotular nossas experiências como “boas” ou “ruins”, com base somente no nível de prazer e conforto que nos proporciona. Rollo May disse que, assim procedendo, prejudicamos a nós mesmos, pois estamos lutando contra experiências que nos trariam grande crescimento, desenvolvimento e aprendizagem, caso os aceitássemos como parte natural da vida.

Algumas situações nos acontecem inevitavelmente, sem nos dar oportunidade de escolha, doenças, dificuldades financeiras, traições, separações, mortes, abusos físicos e psicológicos, desemprego, etc.. E é sobre isso que Rollo May está falando, essas experiências se tornam menos dolorosas quando a aceitamos e buscamos dar um significado a elas. May defendia que devemos aceitar todas as experiências igualmente, segundo ele, o sofrimento e a tristeza são partes naturais da vida e importantes para promoverem o desenvolvimento psicológico.

Resiliência psicológica é o termo usado para a capacidade de superar adversidades, transformando experiências negativas em oportunidades de crescimento. Pessoas resiliêntes não se vitimizam, mas assumem a responsabilidade do que aconteceu consigo. A vitimização nunca ajuda! As pessoas resiliêntes superam melhor os problemas, pois acreditam que a vida tem algum sentido, elas compreendem seus próprios sentimentos e conhecem suas forças e limitações. O sofrimento é inevitável, mas a escolha de como interpretá-lo é sua. Todos nós temos força de superação, se alguém está com dificuldade de praticar a resiliência, algo pode estar errado e um profissional da psicologia pode ajudar.

Exemplos de superação sempre nos trazem grandes ensinamentos. Prênteci Veloso, bancário, advogado, foi diagnosticado com câncer no estômago em 2013 e passou por um doloroso processo de tratamento que é descrito no livro “Folhas que caem, Vidas que seguem”. O livro possui relatos de sofrimento, mas em sua maioria, relatos de esperança, confiança e tranquilidade. Chegando ao fim de seu livro, podemos ler a seguinte frase: “Aprendi que tudo na vida tem algum sentido, e ás vezes ele só será percebido tempos depois”. Esta frase nos faz recordar o livro do psiquiatra Viktor Frankl, Em busca do Sentido (1942), onde ele nos ensina que o sofrimento deixa de ser sofrimento quando ganha sentido. É isso, Prênteci Veloso, em seu livro nos ensina a  mesma coisa, ele não é psiquiatra, escreveu algo que não fez parte de estudos empíricos, mas de aprendizagem prática, resiliência é justamente isso. O próprio autor se descreve como alguém que superou o câncer através da confiança, fé e amor. Lembremo-nos da árvore, suas folhas caem, mas a sua vida segue. Problemas e dificuldades podem acontecer, buscar aprendizado e crescimento através disso, é uma escolha. Talvez seja difícil, mas tente!

Fonte indicada: Catarse Psico

Publicado com autorização da autora.

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Tirza Balmant
Tirza é psicóloga e acredita que fazer terapia não é um ato de fraqueza, nem loucura, mas uma demonstração de coragem, lucidez, força e determinação para mudar o que te impede de ser feliz"



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