A dor do expandir a consciência

Muito se fala sobre o expandir da consciência. Levei tempo para entender, na prática, o que isso significa verdadeira e profundamente. Acabei por compreender, junto com toda a dor que veio nesse crescimento.

Frase de efeito na rede, atribuída a Albert Einstein já afirma: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original.”

Fato. O expandir da consciência é um novo conhecimento sobre si mesmo. A capacidade que adquirimos com o tempo de nos vermos quase que fora de nós mesmos. Perdemos a velha arrogância de acreditar que somos o máximo e de que tudo sabemos. Olhamos para trás, para tudo o que fizemos e, principalmente, para tudo o que já fomos. E, enfim, percebemos o quanto podemos ser melhores.

É claro que tudo isso soa muito bonito e maduro, mas chegar a este ponto é um processo lento, sofrido e sem volta. Demanda tempo e muitos tapas na cara. Em outras palavras: demanda relacionamentos fracassados, decepções intensas com pessoas queridas, momentos de solidão, doenças, perdas e fracassos que marcaram a alma, assim como a carne, a ferro e fogo.

Comumente, quando jovens, achamo-nos o máximo, donos do mundo e com uma vida inteira pela frente. Com o passar dos anos e o grande acúmulo de erros (as chamadas experiências), vamos ficando cientes é de que não éramos nada. Na minha juventude, ouvia muito a seguinte frase: “Prefiro me arrepender daquilo que fiz a daquilo que não fiz”. Hoje, já nem sei dizer se concordo com esta afirmação. Acho que cometi tantos erros, que perdi a conta. Ao menos, vejo que agora aprendi, finalmente mudei, saí da velha casca e me transformei em borboleta. Ciente de futuras metamorfoses.

Percebi, no entanto, que, após esta tomada de uma nova consciência, pessoas ficaram para trás. Não por não terem valor, mas por não estarem mais no mesmo caminho. Coisas também ficaram em algum lugar no passado, momentos e, o que antes era diversão, deixou de sê-lo, dando espaço a novas experiências.

O expandir da consciência traz o maior e melhor conhecimento que podemos adquirir. Mais importante que matemática ou filosofia, é o conhecimento sobre nós mesmos e a forma como interagirmos com a vida. Finalmente nos damos conta de que nada sabemos, aprendemos a baixar a cabeça e o tom de voz, quando não nos calamos por inteiro. Aprendemos, finalmente, a interagir com a vida, independentemente do que ela traga. Lamentamos menos e os porquês se tornam menos frequentes.

Encaramos, enfim, a vida sem o velho julgar. Damos a volta por cima sem reclamações. E nos tornamos fortes quase que sem querer. A amabilidade e a gentileza se tornam automáticas. O que antes era difícil, torna-se mais fácil. A percepção do tempo já não é mais a mesma, bem como da vida e da morte.

Muitos passam a vida em branco. Não saem do lugar e se consideram “para sempre” uma pessoa perfeita. O ter “aquela velha opinião formada sobre tudo” é ainda pior quando é a mesma e velha opinião sobre si mesmo. Acreditar que não se pode ser melhor é a sentença de ser para sempre igual, um ser que não evolui.

O despertar de uma nova consciência é um processo dolorido, porém evolutivo. Faz parte do ser humano seguir este caminho. O que traz sentido real à vida.

De tudo isso, seja o que for…

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Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), “O milagre da vida” (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). "Nosso Alzheimer." (Romance), Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br

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