6 livros essenciais para quem gosta de Jazz

Hoje é possível dizer, sem sombra de dúvidas, que o jazz é bem mais que apenas mais um fenômeno musical. Ele é um acontecimento de proporções muito maiores. Nenhum outro estilo musical teve tantas revoluções internas em períodos tão curtos. O jazz surge como traço marcante da condição humana, refletindo nossa capacidade de constante transformação através do tempo. Não é à toa que Julio Cortázar (1914-1984) a considerava a única música universal do século XX. Isso sem falar no verdadeiro frisson que o bebop causou em Jack Kerouac (1922-1969) e nos Beatniks de modo geral.

Apresento aqui uma lista com alguns títulos disponíveis em português que considero essenciais para quem quer se aprofundar no assunto ou entender um pouco melhor a importância do mesmo.

Todo Aquele Jazz (Companhia das Letras, 2013):

13942646_1070140683081510_728091639_nO livro de Geoff Dyer é, para muitos, aquele que mais se aproxima da linguagem do próprio jazz. É um trabalho minucioso não só sobre a vida , ficcionalizada ou não, de grandes nomes do gênero, mas também sobre o ethos de toda uma época. Narrativa e objeto se confundem e o leitor é levado a momentos trágicos gloriosos com a mesma intensidade, enquanto é exposto aos vícios e trejeitos mais particulares de eternos ídolos.

Em outras palavras: ler essa obra é como presenciar o espírito do tempo desfilar na frente de olhos desacreditados, através da loucura e criatividade de homens e mulheres incontroláveis por natureza.

 

História Social do Jazz (Paz e Terra, 2011):

14009877_1070141526414759_1993829825_nEric Hobsbawm (1917-2012) foi um dos mais respeitados historiadores de que se tem notícia. Também foi um grande jazz aficionado. Durante muito tempo, escreveu como crítico de jazz para a revista New Statesman, sob o pseudônimo de Francis Newton. O livro foi lançado no fim dos anos 50 e, mesmo sem abordar o free jazz e o fusion (estilos posteriores), figura hoje como importante documento sobre a música popular americana.

Hobsbawm analisa o jazz como grande personagem histórico, responsável pela ascenção cultural, intelectual e financeira de indivíduos marginalizados (negros e pobres). Como repórter, nos delicia com curiosidades sobre figurões como Count Basie (retratado como pianista mediano e bêbado), e Duke Ellington (preguiçoso e ladrão de melodias e mulheres de seus companheiros de grupo).

O Jazz Como

Espetáculo (Perspectiva, 2007):

13956920_1070141879748057_1675812941_nJá pela escolha incomum do tema é possível intuir que estamos diante de um grande livro. O jornalista e crítico Carlos Calado explora o jazz em seus aspectos mais teatrais.

A postura dos músicos enquanto tocam seus instrumentos, a importância da relação entre platéia e aquele que está em cima do palco e o desenvolvimento e manutenção dessa relação com o passar dos anos. Um tratado musical, cênico e, por que não dizer, psicológico.

 

O Jazz – do Rag ao Rock (Perspectiva, 2007):

13989414_1070142506414661_771027942_nQuando o assunto é jazz, Joachim E. Berendt 1922-2000) é referência mundial.

Em “ O Jazz – do Rag ao Rock”,o crítico alemão se dedica de modo incansável a analisar, passo a passo, nome a nome, os principais elementos e características de cada subgênero e seus desdobramentos. Imprescindível para quem se interessa por nomes e datas ou para quem quer se iniciar no assunto (acompanha ainda uma rica sugestão de discografia em ordem cronológica).

 

Coltrane (Veneta, 2016):


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John Coltrane (1926-1967), saxofonista, revolucionário e… santo. Não, não é uma metáfora. Ele foi canonizado pela Igreja Africana Ortodoxa, onde é padroeiro dos artistas e dos que buscam superar vícios. Sua história é contada de forma ousada e quase estranha na HQ do italiano Paolo Parisi. Está tudo lá. A infância pobre, o vício, os amigos, as mulheres, os insights geniais, os músicos com quem tocou e, claro, a criação do inigualável e arrebatador “A Love Supreme”.

 

 

Love Supreme, A Criação do Álbum Clássico (Barracuda, 2007):

13936505_1070145283081050_890469593_nE por falar nele… Originalmente lançado em 1965, “A Love Supreme” foi o disco que colocou John Coltrane entre os maiores jazzmen de todos os tempos. O livro de Ashley Kahn revela todo o processo de criação do disco. Desde a escolha dos músicos até o lugar onde foi gravado. Contem também saborosas entrevistas com membros da família Coltrane, curiosidades como os detalhes do surgimento da gravadora Impulse Records e uma galeria com fotos e imagens emblemáticas.

A tempo: Ashley Kahn também lançou um livro no mesmo formato falando sobre as gravações de “Kind of Blue”, de Miles Davis, igualmente lançado no brasil pela Barracuda.

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Jocê Rodrigues
É escritor, editor e repórter responsável pelo conteúdo jornalístico do CONTI outra.



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